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Inovação

DEO (Design Executive Officer)

O show acabou pessoal! A batalha constante entre os criativos e os executivos está próxima ao fim. Enquanto o mercado fez questão de nos separar nestas duas caixinhas, perpetuamos condições e características específicas de cada um dos grupos: aos criativos as cores, aos executivos as planilhas. Até chegar a fatídica reunião de alinhamento. Na mesma sala, os dois mundos, cada um com o seu dialeto próprio. De um lado, diretores criativos sem preocupação estratégica, valendo-se de uma criatividade totalmente disfuncional, do outro, os executivos incapazes de compreender o poder de ideias ousadas, como se isso significasse abrir mão do campeão de vendas do mês anterior. A certeza era única, fim da reunião, frustração de ambas as partes. 

Orquestrar essa batalha não era um papel fácil a ser assumido pela liderança. Até porque, sabemos que o líder, na sua essência executivo, não tinha um papel neutro nessa discussão. Por outro lado, os criativos não pareciam muito interessados em reverter esse jogo e assumir esse posto. Como designer, inclusive, me identifico com esse lado. Por anos acreditei que minha profissão nunca seria o topo da cadeia alimentar do capitalismo. Me contentava com o crescimento horizontal, não por falta de ambições, mas sim por falta de identificação com os altos cargos de diretoria. Crescer verticalmente na empresa me afastava de pôr a mão na massa, significava ter que confiar mais em planilhas do que na minha sensibilidade e, para mim, o mais doloroso de todos, me afastava da possibilidade de arriscar. Por isso, vesti a camiseta do time dos criativos e aparentemente ela me serviu de escudo contra qualquer ameaça de uma vida executiva. Mas, consequentemente, também me afastava dos momentos decisivos. 

Assim como eu, muitos jovens passaram a conviver com essa frustração. A prova são os altos índices de colaboradores insatisfeitos com as suas lideranças ou até mesmo a rapidez com que estamos trocando de empregos e empresas. Características que inclusive acabaram categorizando uma geração: os Millennials. Porém, longe do mimimi estereotipado que enfatizam os críticos, essa galera teve a coragem de questionar o sistema e passou a traçar seus próprios caminhos em direção ao seu próprio conceito de sucesso. E não por acaso, é nesse mesmo contexto que surge um novo papel de liderança. 


Abram alas para o DEO!


 DEO, Design Executive Officer (ou, então, o Diretor Executivo de Design, no bom português), termo criado pelas empreendedoras Maria Giudice e Christopher Ireland e lançado no livro "Rise of DEO". As autoras afirmam que o cargo é um híbrido: parte executivo de negócios estratégicos e parte criativo solucionador de problemas. Para mim, mais do que um novo tipo de líder, o DEO é um grande acelerador para a transformação, a peça-chave para a mudança cultural empresarial. 

Mas você deve estar se perguntando: o que há de tão inovador nesse perfil? Para ficar mais claro, as autoras inclusive traçaram as seis principais características desse profissional: 


#1 Agente de mudanças: como disse anteriormente, é alguém capaz de transformar. Ele sabe como o sistema funcionava anteriormente e sabe suas falhas, por isso as questiona constantemente, criando novos paradigmas e formas de enfrentar os desafios.


#2 Pensador sistêmico: essa pessoa literalmente quebrou o limite entre as caixinhas e passou a olhar para o negócio como um todo, questionando a lógica linear de enfrentar os problemas, um de cada vez.


#3 Assumem riscos: para eles,o risco é inerente a estar vivo e é peça-chave para a criatividade. Por mais que hajam falhas, o erro faz parte do processo e resulta em aprendizado. 


#4 Empáticos: comportamento humano é fonte de informação e feedback constante. As diferentes perspectivas dos seus clientes e funcionários o ajudam na construção da sua visão do sistema. 


#5 Intuitivos: nem tudo são números. São capazes de sentir o que é certo e errado através de sua intuição. Mas não pense que sua percepção não tem fundamento, até sua intuição é embasada na sua experiência e olhar atento sobre o sistema. 


#6 GSD: Gets Shit Done! Eles literalmente se envolvem no projeto e fazem a coisa acontecer. Seu senso de urgência é incapaz de aguardar por soluções. Por isso, sua liderança é a partir do exemplo. 


Quando escolhi cursar design anos atrás, foi uma atitude de coragem. Não por não acreditar no potencial dessa profissão, mas sim pela falta de referência no mercado. A escadinha ainda não estava traçada e cabia a nós criarmos o nosso próprio caminho. E finalmente chegamos lá. O design chegou no topo da hierarquia e agora nós também podemos chegar lá. 


Por Gabriela Fernandez.

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