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Inovação

A internet finalmente concorda sobre algo: vídeo é o melhor formato.

Nem é preciso mergulhar na deep web para constatar que a internet é realmente o mar das opiniões. Ao mesmo tempo que fica cada vez mais fácil opinar sobre algo, fica mais difícil encontrar conteúdos que façam essas opiniões convergirem. Mas aqui vai uma boa notícia: se por um lado o conteúdo diverge, por outro, o formato une.

É indiscutível que o vídeo seja o formato soberano. Você mesmo preferiria assistir a um conteúdo sobre esse texto do que focar nas letrinhas, não é? Mas já parou para pensar o por que dessa unanimidade?

O primeiro fator que infla o fenômeno dos vídeos nasce de um contexto socioeconômico. Infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu erradicar o analfabetismo. A última pesquisa do IBGE, realizada em 2017, apontou que 7% dos brasileiros são analfabetos absolutos (não conseguem ler nem escrever). Além dessa triste estatística, temos outra que não assusta menos: 38 milhões de pessoas são analfabetos funcionais, aqueles que têm a base da escrita, mas muita dificuldade de se expressar por meio de palavras e de compreender frases simples. E não para por aí. Ainda existe uma grande parcela da população, mesmo nas classes mais altas, que sofre de iletrismo. Isso quer dizer que apesar de saber ler e escrever, essas pessoas têm grandes problemas de interpretação de texto. Ou seja, li tudo, mas não compreendi a mensagem principal. E, cá entre nós, quando falamos em marketing, isso é um problemão, né?

Bom, agora vamos pegar essa informação e unir ao segundo fator, o tsunami que vem tomando conta do planeta: a transformação digital.

Hoje tudo acontece de dentro pra fora. Do smartphone para o mundo. Se as pessoas já têm dificuldade de escrever e ler no computador, imagine uma telinha 5 vezes menor. A assertividade da mensagem é muito maior quando transmitida em vídeo, pois você fica menos dependente do receptor. Uma mensagem em vídeo ou imagem é processada pelo cérebro humano 60.000 vezes mais rápida do que em texto. Isso acontece porque mais do que a precisão na escolha das palavras, o texto demanda maior atenção e a interpretação do leitor.

Mas a compreensão da mensagem não é tudo: o que nós queremos que uma pessoa faça depois de ver um conteúdo sobre a nossa marca? Passe pra frente, compartilhe, envie, dê um share. Tanto faz o nome, o importante é a ação. E quanto mais engajador um conteúdo for, maior a chance dele navegar pela web. Os vídeos têm o poder de utilizar diversos recursos, como trilha, locução, imagens, ilustrações; e tudo isso deixa o conteúdo muito mais sedutor e engajador - não é por acaso que o YouTube está entre as três redes sociais mais usadas no mundo.

Agora, falando de dados - que é o novo tema queridinho das grandes empresas -, o vídeo também consegue superar os textos. O mapeamento é muito mais preciso em vídeos, já que é possível saber exatamente em qual momento o usuário parou de assistir e quantas pessoas assistiram parcialmente ou inteiramente ao vídeo. E então você pode reimpactar essas pessoas com novos conteúdos (para quem assistiu ao vídeo por completo) ou conteúdos complementares (para quem não captou toda a mensagem).

Já deu para se apaixonar pelos vídeos, não é mesmo? É bom mesmo, porque eles já estão dominando o mundo.

E se o fenômeno videoaholic acontece enquanto você lê este texto, imagine daqui a cinco ou dez anos. A previsão é de que até 2021 nós assistiremos a 3 trilhões de minutos de vídeo por mês, segundo o Tubular Insight. Quer mais? Nos próximos anos, 85% do tráfego de buscas dos Estados Unidos será para conteúdos em vídeo - isso porque já é comprovado que os vídeos conseguem aumentar o tráfego orgânico em 157% (#chocada). Um dos motivos desse número gigante tem como culpado o maioral no quesito buscas, o amado Google, que já privilegia resultados no formato de vídeo dentro da sua plataforma.

A verdade é que essas previsões e números não tendem a cair nem um pouquinho, aliás, pelo contrário, vão crescer de vento em popa. E com o Marketing de Conteúdo vindo a galope como um verdadeiro Dothraki, já temos um belo spoiler do futuro da propaganda: conteúdo relevante e em vídeo.


Por Natália Mamede.