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Inovação

O varejo do futuro presente

Hoje, venho comentar sobre o tão falado futuro do varejo. Mas faço questão de expor um lado um pouco diferente daquele que recebemos nos reports de tendências de mercado etc. Longe da perspectiva de CEOs ou analistas de venda do segmento, quero mostrar a perspectiva do consumidor.

Poderia começar dizendo que vivemos uma era de mudança, porque vivemos uma mudança de era e toda aquela coisa, mas na realidade sempre vi isso como uma tentativa nossa de buscar protagonismo na história. A mudança chegou exatamente agora? Ela esperou nascermos para mostrar a cara? Acho pouco provável...

Mudanças sempre aconteceram e isso não é privilégio da nossa geração. A diferença é que hoje elas ocorrem de forma muito mais rápida do que antigamente e isso assusta. Mas, se olharmos bem, continuamos os mesmos seres humanos, com as mesmas necessidades básicas. Amor, segurança, agilidade, estabilidade, honestidade... São estes os valores que norteiam a nossa vida. A nossa essência segue a mesma e ela não muda nessa frequência toda.

Mas, enfim, por que essa longa introdução? Tudo isso para dizer que o comportamento humano só é impactado quando uma grande invenção ocorre. E, a novidade consegue destravar novas formas de servir às necessidades básicas das pessoas. Consegue entender? Novas tendências de comportamento surgem quando algo que criamos facilita ou destrava um daqueles valores já existentes. Idealizamos aplicativos que nos ajudam a encontrar novas paixões, pagar contas no banco, ir ao supermercado sem sair de casa... Essas são as pequenas revoluções e elas só acontecem porque fazem sentido ao comportamento humano. E são elas que irão afetar o varejo.

Vamos entender algumas? Vem comigo!

Conveniência no varejo

Queremos ser servidos aonde quer que estejamos, correto? Correto! Então é nesse momento que evidenciamos nossa busca por conveniência. Para esse tipo de necessidade, a tecnologia — dentro do seu vasto cardápio de opções — nos oferece a realidade aumentada. Mas, na prática, como isso funciona? Longe de falarmos em vendedores holográficos e maluquices do gênero, vamos para algo mais palpável, uma loja em formato de espelho... Não ajudou muito, né? Mas te juro que isso já é uma realidade na China. A Alibaba transformou o banheiro de um shopping em um ponto de venda. A marca apenas entendeu que mulheres olham-se no espelho do banheiro quase que de forma instintiva, então por que não oferecer ali uma solução? Valendo-se de filtros, assim como no Instagram e no Snapchat, as usuárias podem deslizar entre as mais diversas opções de batons até chegar no tom ideal que combina com a sua pele. Encontrando a solução, selecionam e compram o item desejado que estará disponível na máquina ao lado (igual aquelas de refrigerante). Quer mais conveniência que isso? Confira o vídeo e veja que eu não estou te contando historinha.

https://www.youtube.com/watch?v=MSyTOcQtpec

Segurança no varejo

Em um mundo com tantas opções, queremos ter certeza que estamos fazendo a escolha certa, correto? Correto! Por isso, podemos entender que a nossa busca é por segurança. Para você que, assim como eu, passou por todas as inseguranças de um processo de mudança agora — ou em qualquer momento da vida, porque esse processo deixa traumas — tenho certeza que você vai entender essa dor. Como você reagiria se eu te contasse que existe uma solução (isso mesmo, estou usando o verbo no presente) que você consegue ver o móvel que você quer, por exemplo, um sofá, dentro da sua sala, em tamanho real? E se você conseguisse acrescentar a essa mesma cena o rack para a televisão que você ficou na dúvida se combinaria com o sofá? E se no final de todo esse processo você clicasse em apenas um botão na tela do seu celular e tudo isso entraria no seu carrinho de compras e, em poucos dias, a loja estaria batendo na porta da sua casa com esses produtos? Parece coisa de outro mundo, mas foi exatamente para esse tipo de situação que a IKEA, loja sueca que vende móveis domésticos a baixo custo, pensou em solucionar. Olha só esse vídeo!

https://www.youtube.com/watch?v=vDNzTasuYEw

Rapidez no varejo

Abarrotamos nossa rotina de afazeres, transformamos nossa vida profissional em prioridade máxima e imediatismo virou o desejo da vez. Para acompanhar esse ritmo de vida, as empresas tiveram que literalmente correr atrás. Depois das marcas de luxo lançarem o modelo "See now, buy now", onde logo em seguida das passarelas qualquer um poderia acessar o site da loja e comprar a peça desejada sem ter que esperar os longínquos seis meses para ela chegar a uma loja, gritamos por mais imediatismo! E foi assim que o mercado criou o shopstreaming. Mas o que é isso? Nada mais é do que as famosas "lives", porém não mais ingênuas e sem propósito, elas tornaram-se canais de venda. Um exemplo disso foi o movimento que a L'Oréal fez no Red Carpet de Cannes em 2016 em parceria com o WeChat. Os chineses, que seguem a marca nas redes sociais, poderiam acompanhar em tempo real a rotina de beleza das celebridades momentos antes de passarem pelo tapete vermelho e, além de interagirem, poderiam comprar os produtos desejados pela mesma plataforma. Por mais inovadora que pareça a solução, a tendência é ir muito mais além, motivado tanto pelas plataformas de streaming, quanto pelas marcas em busca de novos canais de conexão com seus consumidores.

Mas, espera aí, e as lojas? Como elas ficam nessa história toda?

É intuitivo se perguntar qual o papel desses imensos espaços disponíveis em shoppings para os próximos anos... Principalmente porque os exemplos que citei, mostraram novos e muito mais inovadores canais de compra e venda. E é exatamente essa a grande mudança! Canais que antes eram considerados apenas fontes de mídia, passaram a ter voz ativa e tornaram-se pontos de consumo. Por consequência quase que direta, para não perderem sua função — que, diga-se de passagem, ainda são importantes — as lojas estão se tornando canais de mídia para as marcas.

Segundo Doug Stephens, um dos caras mais cabeças quando o assunto é o futuro do varejo, estamos vivendo o momento de transição de "Stores to Stories". Tive que deixar em inglês porque o termo é muito bom. Mas nada mais é, no bom e velho português, que as lojas estão se redefinindo, elas estão se transformando em lugares para contar histórias e viver experiências.

Segundo o futurista canadense, lojas on-line e off-line não são concorrentes ou caminham em sentidos opostos. Uma não precisa morrer para a outra viver. Suas experiências devem ser complementares. A loja física ainda é um ótimo local para se criar vínculo emocional com o consumidor. Inclusive, existem pesquisas que indicam que os consumidores ainda buscam pela sensação de "descobrimento" por novos produtos. Os algoritmos podem seguir suando a camisa para nos entregar soluções cada vez mais personalizadas, mas também queremos sentir o prazer da vitória de encontrarmos algo que é inovador, inclusive para nós mesmos. E para essas situações, as lojas físicas vêm cumprindo esse papel muito bem. Seja em um modelo automatizado, como a Amaro, ou nos infinitos que ainda podem surgir — lojas físicas não desaparecerão de um dia para o outro, mas cabe às marcas saberem ressignificá-las para esse novo mundo.

Parabéns, você foi um vencedor e chegou até o fim!

Depois de toda essa informação, o mais importante é ter em mente que sim, estamos vivendo uma época de mudanças, mas a novidade mesmo está na rapidez que elas vêm acontecendo. Porém, nossas necessidades básicas não se alteram com essa mesma frequência. Por isso, desbravadoras serão as marcas que estiverem dispostas a entenderem as reais necessidades dos seus consumidores e propor soluções que destravem essas dores milenares do ser humano. Isso sim é revolucionar alguma coisa!

Por: Gabriela Fernandez