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Inovação

UpToday: Tendências e Contratendências

No dia 18 de julho aconteceu o nosso primeiro UpToday com o tema Tendências e Contratendências: uma discussão sobre o futuro com a participação Christian Geronasso (Head de Transformação Digital da SAP) e André Lombardi (Diretor da Perestroika), que representam mundos diferentes, mas buscam um objetivo em comum, com mediação da estrategista da Today, Gabriela Fernandez.


Pensar tendências é ir para o futuro e voltar para o presente constantemente, na tentativa de encontrar sinais até chegar a elas. Um dos primeiros foi o da aceleração. A vida atual está cada vez mais acelerada e as coisas acontecem desta forma mesmo, devido às invenções tecnológicas. E, a cada momento, um número maior de pessoas é impactado por essas mudanças. 


Neste instante, as pessoas estão cansadas por não darem conta de consumir tudo o que está disponível na internet, onde tem sido necessário fazer escolhas daquilo que se quer consumir ao mesmo tempo em que a internet traz uma fluidez e torna-se difícil de distinguir o on-line do off-line. Conceitos bem demarcados não existem mais, por isso é possível saber que “realmente existe um momento de mudanças e este não é o primeiro na história, mas é o primeiro em que temos seis gerações que vivem ao mesmo tempo a Era Digital: os adaptados digitais e os nativos digitais”, explica Gabriela Fernandez, da Today.


Os adaptados digitais são os únicos que conseguem ver os valores dos dois mundos: dar a devida importância a tudo aquilo de bom que existia antes da internet e também ver o melhor neste novo momento e o que tiver de ruim para aprimorar. “O futuro não está tão distante, está apenas um passinho além da realidade que temos hoje”, complementa Gabriela. Ela ainda diz que para toda tendência existe uma contratendência e é com a união dos dois que se chega ao futuro.


Mercado de trabalho – Inteligência Artificial, eficiência e precisão humana ou robôs assumindo essas funções, é questionada a capacidade das pessoas, ao mesmo tempo em que a criatividade é vista como um momento de liberdade desse mundo tecnológico. Para Christian Geronasso, da SAP, o homem tem enorme facilidade para aprender, então ele tem total condição de se adaptar às novas funções caso a dele seja assumida pela automatização. Enquanto que para André Lombardi tudo isso é uma falsa dicotomia, pois as pessoas precisam melhorar a produção, não querem criatividade, elas querem coisas aplicáveis, reprodutíveis e eficientes. É uma criatividade automatizada, o que se valoriza mesmo é a capacidade produtiva e não a criatividade, isso é muito mais amplo. 


Comportamento – Multitasking e mindfullness. Lombardi encontra problemas com esses dois conceitos, pois não existe cientificamente sustentação para nenhum deles. A habilidade multitasking não foi criada, ninguém é assim, o que pode ser feito é alterar de uma tarefa para a outra, resultando em uma má execução das duas e ele se preocupa com uma educação voltada para este conceito, pois ela não funciona, mas atrapalha. O resultado é uma epidemia de ansiedade e depressão. Para Genorasso, a tecnologia ajuda as pessoas a serem multitasking no tomar menos tempo para decisões complexas. E ainda coloca que, quando a pessoa tem muitas tarefas para realizar ao mesmo tempo, ela não faz, simplesmente dispersa.


Saúde – Mapeamento e edição do código genético. Possibilidade de brincar de Deus e a medicina preventiva. Por outro lado, existe a medicina integrativa. Indivíduo na sua totalidade e cura de dentro para fora. Os dois mundos, às vezes, se misturam em outras se separam. Existem várias linhas para saber o que as pessoas querem, é a experiência de cada uma, e a tecnologia não será quase vista para Christian  Genorasso. Enquanto que Lombardi coloca que a saúde da pessoa vai de encontro com a sua capacidade de produção. E ele coloca que “a nossa sociedade é doente e a grande revolução não é o genoma, é conseguir curar a doença que é a nossa sociedade, no quanto ela destrói a capacidade do indivíduo de ter uma vida meramente saudável”. 


Segurança – Personalização de qualquer experiência. As marcas precisam mapear essa experiência, entender o que o consumidor quer e se conectar com elas da melhor forma possível. Se a pessoa quer uma personalização extrema, precisa fornecer muitos dados. E a quem pertencem esses dados? As empresas vão ter que pensar dados de uma maneira diferente e existe também a legislação que entrará em vigor no próximo ano sobre o assunto (lei de proteção aos dados). Como já dizia o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “não existe 100% de segurança com 100% de privacidade” e, hoje, o dado é considerado o novo ouro, o novo petróleo. Hoje é possível pegar de forma muito rápida uma grande quantidade de dados para fazer a pessoa comprar de forma mais intuitiva. E com as leis que estão sendo criadas, as multas serão muito altas e os apps e as páginas vão precisar informar o tempo todo o usuário que esses dados estão sendo captados.


Segundo André Lombardi, Diretor da Perestroika, existe um ponto de vista social e não só tecnológico, pois essa transparência não é a valorização da singularidade, ela é a planificação dos tipos, pois todos estão sujeitos ao julgamento. Isso para chegar ao consumo, pois quanto mais planificado for o consumidor, menos estratégias de venda uma empresa precisa fazer. Ele ainda comenta que não acredita que a sociedade passa por uma era de mudanças, mas que está apenas passando por uma radicalização da revolução industrial.


Este debate veio para mostrar que a sociedade passa por um momento bastante complexo, com muitas versões e perspectivas, que o futuro não está tão distante assim e que é necessário parar com o discurso apocalíptico e levantar todos os lados. E que é preciso aceitar a tecnologia, entender o que faz sentido e questionar o que está certo ou errado.


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